50 anos - Muito trabalho pela frente

50 anos - Muito trabalho pela frente Vista aérea do aeroporto de Viracopos (Foto: Prefeitura de Campinas - Divulgação)

Enquanto aguarda a obtenção de licenças ambientais e trabalha para acertar os processos judiciais envolvendo desapropriações no entorno do Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, que chegam a cerca de 900, a direção local da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) pensa no futuro. O objetivo é transformar em realidade a ampliação do Terminal de Passageiros e a segunda pista de pousos e decolagens até 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil. Ao mesmo tempo, é preciso superar o desafio dos problemas de infraestrutura, como o pouco espaço para receber os passageiros e também dos bolsões de estacionamento, saturados.

Mas, apesar disso, os sucessivos, e acelerados, aumentos no movimento de passageiros já despertam a atenção do mundo — órgãos como o Airports Council Internacional, por exemplo, estão de olho no que acontece na região para tentar entender o fenômeno. A retomada dos voos internacionais, operados pela TAP, uma marca da era clássica do aeroporto, também empolga.

No comando desse grande desafio está Lilian Ratto Neves, superintendente da Infraero em Viracopos.

Correio Popular - Viracopos pode ser considerado hoje uma alternativa viável para aliviar o sistema aeroviário brasileiro?

Lilian Neves - Viracopos tem, realmente, uma representatividade muito grande no futuro da aviação no País. Por que isso? Ele tem uma localização estratégica, fundamental para o escoamento de uma produção, no que se refere à carga. O aeroporto tem uma localização muito privilegiada também no que se refere a turismo. Não só o turismo de saída, mas também de chegada. A região tem um bom trade dessa área e isso é um fator importante. O que, na realidade, se divulga muito? Que ainda não está pronto. Mas o aeroporto está passando por mudanças atualmente e existem outras que estão previstas, programadas, que irão ocorrer à medida que se obtiver a licença ambiental para que os investimentos que já estão alocados possam ser viabilizados com os projetos e com as obras necessárias para a expansão do aeroporto.

Qual é o montante de recursos já programados e garantidos para a ampliação do aeroporto?

Está em torno de R$ 740 milhões. Esse montante é relativo à parte de terminal de passageiros, de uma segunda pista de pouso, de toda a infraestrutura para uma nova área terminal. O cronograma, a previsão (de finalização das obras e entrega) é para 2014. Algumas etapas já em 2013.

Há estimativa de investimentos de cerca de R$ 6 bilhões entre 2020 e 2030. Isso é concreto ou ainda são apenas projetos?

O Aeroporto Internacional de Viracopos, assim como os demais, tem um Plano Diretor. Nesse plano são projetadas as perspectivas de crescimento e de ocupação de um sítio patrimonial, da área do aeroporto. O terreno do aeroporto comporta várias etapas de implantação e isso se dá à medida que exista uma demanda que justifique. Por exemplo: existe uma etapa do Plano Diretor para até 2015 que comporta essa segunda pista de pouso, uma parte do novo terminal de passageiros e uma melhoria na parte de cargas também. É um setor produtivo muito importante e ele não será abandonado. O histórico mostra que, nas últimas décadas, o terminal de cargas foi o principal referencial de Viracopos. Então, a partir desse momento, com a evolução do transporte aéreo no País, existe uma outra etapa do Plano Diretor para o que vem depois. A gente não pode pensar apenas em eventos marcantes como esses que, hoje em dia, são referenciais (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíada no Rio de Janeiro, em 2016), mas principalmente no que o País vem crescendo, na produtividade que a região de Campinas tem e que leva a toda essa movimentação e crescimento do aeroporto.

A questão da segunda pista é uma realidade?

É uma realidade. Estamos aguardando a obtenção da licença ambiental para dar prosseguimento aos estudos. Alguns processos de licitação já estavam sendo adotados, mas o Ministério Público (MP) requereu que nós cessássemos até que a licença fosse emitida. Então, concedida a licença, a gente dá continuidade aos estudos para que seja viabilizada essa intervenção.

E a delicada questão das desapropriações das áreas programadas para a ampliação e que hoje estão ocupadas por centenas de famílias?

O processo de desapropriação já teve início em 2008 e é contínuo. Ele é realizado em conjunto com a Prefeitura de Campinas e a Advocacia Geral da União (AGU). Todos os acordos são feitos na Justiça Federal. São audiências onde comparecem os proprietários, ou seus representantes legais, para que se ajuste cada processo. Teremos uma área total a ser desapropriada de 12,4 quilômetros quadrados. É necessário implantar a melhoria, a infraestrutura e ainda existir uma área de entorno que preserve a segurança dessas operações. Por exemplo: não é desejável que a gente tenha apenas uma área para a pista de pouso, é preciso que exista uma área para que se cumpra as normas de segurança operacional. Desse percentual (de processos de desapropriações), nós já pagamos cerca de R$ 5,8 milhões, que representam 105 ações que já foram concluídas, de um total de mais de 900 que nós já demos entrada. Nós temos uma agenda, que é ajustada com a Justiça Federal e com as demais instituições para podermos fazer esses acordos. Há recursos alocados para isso na Infraero e, à medida que forem realizados esses acordos, os proprietários são indenizados.

É preciso esperar o acerto da totalidade dos acordos para trabalhar na ampliação?

O trabalho será por etapas. Temos algumas etapas que já poderiam ser iniciadas porque essas áreas já foram desapropriadas. A ideia é que elas (as obras) ocorram simultaneamente à elaboração dos projetos.

Houve alguma mudança de planos no projeto inicial de ampliação provocada em função da ocupação da área ao redor?

Nesses últimos anos, aconteceram algumas mudanças em função da ocupação urbana no entorno e até em função das exigências dos órgãos ambientais. Como empreendedor, a gente vai adaptando o empreendimento com o objetivo de reduzir impactos sociais e ambientais. Uma situação recente, que foi amplamente divulgada, diz respeito a uma área que estava para ser desapropriada, mas que acabou retirada por ser um patrimônio histórico (o bairro Friburgo, formado no século 19 por imigrantes alemães). Também havia a previsão de que o ramal ferroviário existente na área (próxima do aeroporto) seria desviado. Mas, nos estudos apresentados, se percebeu que esse desvio poderia afetar nascentes da região, que são fundamentais no abastecimento de água. Então, se conseguiu uma autorização com outras instituições envolvidas para que esse ramal não fosse desviado, mas que ele passasse em “trincheira”, ou seja, ela vai permanecer no local, mas, em determinados pontos, vai ser subterrâneo.

As obras de ampliação de Viracopos também englobam a implantação do Trem de Alta Velocidade (TAV)...

Sim, a integração está sendo estudada por uma equipe de planejamento da empresa (Infraero) em conjunto com as equipes do TAV. O histórico que temos de integração de transportes em outros países é positivo, mostra um compartilhamento de movimento interessante. Não posso ainda mensurar a magnitude disso (o TAV passando por Viracopos), mas acho que é um fator positivo.

A construção de um novo aeroporto em São Paulo é uma discussão que sempre volta à tona. Se isso ocorrer, qual será o papel de Viracopos?

Isso de ter um outro aeroporto é uma decisão de governo. No momento, cabe a nós, Infraero, trabalhar no planejamento e desenvolvimento de Viracopos. O Plano Diretor tem uma previsão de ser revisado a cada cinco anos, em função de alguma nova demanda ou alteração externa. Hoje em dia, o cenário é que há recursos previstos para investir em Viracopos e atender uma demanda já consolidada tanto na questão de carga quanto no crescimento do movimento de passageiros.

Ainda não houve interessados no aeroporto-indústria. A iniciativa privada reclama do pequeno espaço reservado. Qual é a situação atual?

A licitação foi deserta (não houve interessados) e uma equipe está trabalhando nessa avaliação. O modelo aeroporto-indústria é algo novo, ainda não praticado nas nossas unidades. Então, foi lançado um edital com uma área mínima que possa ser utilizada para esse novo modelo. É o mercado que vai nos dizer se essa área é pequena ou grande. Até para avaliar uma expansão dessa área, você tem que ter dados suficientes e a gente espera que o próprio mercado nos forneça subsídios.

O estacionamento é motivo de muitas reclamações. O que está sendo feito?

Esse item é um ponto nevrálgico porque acaba interferindo nos demais. Já tentei, algumas vezes, explicar a razão desse boom de estacionamento. Na realidade, não é apenas pelo fato de estarmos aumentando as nossas operações. Isso tem a ver com o momento econômico que estamos vivendo. Nunca foi tão simples adquirir um veículo. A gente percebe que houve um aumento de passageiros, sem sombra de dúvida, mas há sim um aumento na utilização de veículos, com muitas vezes, uma ou duas pessoas no máximo para cada um. Alguns dos bolsões que temos hoje em dia eram destinados à população fixa do aeroporto, aquela que trabalha aqui. Esses veículos serão deslocados para outras áreas para que o antigo local seja destinado aos passageiros. O que se propõe é melhorar as condições dos bolsões existentes e estamos trabalhando nisso. A gente não está parado. Pode parecer, mas não estamos.

E o edifício-garagem, vai sair do papel?

Ele faz parte do pacote de reformas e ampliação que está relacionado ao licenciamento ambiental.

A retomada dos voos internacionais (com a TAP ligando Campinas à Europa) é algo histórico para Viracopos.

Essa retomada, sem sombra de dúvida, é um dado histórico que as pessoas e as empresas ligadas à área de turismo festejam bastante. Isso traz mais movimento e mais necessidade de readequações. O fato de uma empresa ter começado, abre um novo nicho de mercado. Já fomos procurados por outras empresas. Recebemos visitas. É algo normal em um aeroporto localizado em uma posição estratégica.

Então, Viracopos está pronto para decolar?

Ele decola todo dia.


Publicado em: 19/10/2010

Fonte: Jornal Correio Popular

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