20/05/2010
Palavras melífluas
Em ano eleitoral é aberto o saco das bondades. O poder público economiza durante três anos e meio para ter o que gastar na véspera da eleição na certeza que as pessoas não olham para compromissos nem para programas, só tem olhos para as obras, elefantes brancos ou não, e para os benefícios que podem pintar. Grupos de pressão, uma das expressões da democracia, também se articulam para exigir aumentos salariais, reposição de perdas de benefícios, realização de concursos, posse de concursados, desoneração da cadeia de produção de determinado setor, aposentadorias integrais, recursos para a construção de hospitais públicos, escolas, estradas, diminuição das horas semanais trabalhadas, e muito mais. Certamente esses pleitos ou são do interesse geral ou de setores da sociedade e tanto um como outro tem o direito de lutar por eles. Até marcha de prefeito é organizada em anos de eleição presidencial, afinal eles estão no meio do mandato e aproveitam para mudar de lado, ou seja, deixam de serem os pressionados e assumem o papel de cobradores.
Há uma pergunta que não quer calar ; onde estão os recursos para atender essas reivindicações? A carga tributária é de 38 por cento e, no entanto o poder público está sempre de cofre vazio. Alega que O país não se desenvolve mais porque não tem dinheiro para investir e com isso o crescimento econômico não se sustenta. É um sobe e desce que é demonstrado em qualquer dos gráficos dos institutos especializados. Só para comparar a China investe 40 por cento do PIB para crescer como cresce e o Brasil muito menos. E não há o que investir uma vez que o custeio, as despesas forçadas do Estado não deixam sobra de caixa para isso. Perguntei recentemente aos candidatos a presidência de onde tirariam verbas para a educação e saúde e ninguém deu uma resposta conclusiva, uma vez que só há dois caminhos, ou se economiza cortando gastos desnecessários ou aumentando a carga tributária. Claro que ninguém em ano eleitoral vai assumir que pretende aumentar os impostos ainda que sejam necessários. Você se lembra do triste fim da CPMF? Ela vai voltar?
Assim que começar a propaganda eleitoral nos veículos eletrônicos vamos assistir a uma enxurrada de " obras realizadas " e de soluções mirabolantes para os grandes problemas nacionais. Vai rolar solução para tudo e para todos. Baseados nessa publicidade,que a cada eleição fica cada vez mais hoywwodiana, a maioria vai escolher o seu candidato. Talvez, quando os candidatos a presidência e ao governo estadual forem chamados para os debates sejam questionados com o título deste artigo : " Excelência, de onde virá o dinheiro para bancar essa sua genial idéia? " As respostas para perguntas incômodas como esta já foram treinadas e retreinadas com as equipes de comunicação . Vai caber a sagacidade de cada um ler, ouvir, ver nas entrelinhas o que é realizável e o que são apenas palavras melífluas para encantar eleitor.
Heródoto é jornalista da CBN e da TV Cultura, Articulista em jornais, revistas e Internet.









































