18/03/2010
A volta de Silvério dos Reis
Nem mesmo o melhor e mais criativo roteirista de Holuwood seria capaz de imaginar que um dia o Exterminador do Futuro iria enfrentar o minerador José Silvério dos Reis. Um vive na Califórnia, o outro viveu em Ouro Preto. O conflito começou por causa das questões ambientais que são muito importantes no estado americano, que é considerado o mais duro na legislação e por isso elegeu um fortão para governador. Silvério por sua vez nunca prestou muita atenção para isso uma vez que o seu objetivo era achar ouro bateando nos rios e burlando o fisco na medida do possível. O movimento ambientalista SOS Mata Atlântica entrou na história e lançou em Brasília um movimento para divulgar o nome dos deputados ruralistas que querem mudar a legislação que protege o meio ambiente para que os eleitores marquem os seus nomes nas eleições do final do ano. O movimento que contou com a participação de vários integrantes da bancada ambientalista, entre eles o deputado Zequinha Sarney, tevê uma ampla cobertura na imprensa. Exterminado do Futuro foi o título dado aos ruralistas, acusados de querer um liberou geral para deitar e rolar com suas máquinas poderosas e destruidoras de biomas como nos filmes dos Schwartznegger.
Os homens do agro negócio não deixaram por menos e responderam com a criação do prêmio Silvério dos Reis, uma forma de associar os ambientalistas do Congresso com o traidor do movimento liderado pelo Joaquim José, vulgo Tiradentes. Os verdes são acusados de retrógrados, descompromissados com a produção de alimentos para a mesa dos brasileiros e com a balança comercial que só vai bem com a exportação de commodities como grãos e carne. Por sua vez os críticos rebatem com o argumento que não é o latifúndio que produz comida, mas o pequeno e médio agricultor, e o que eles querem a manter o Brasil na condição de exportadores de produtos primários como vem fazendo muito tempo antes da Inconfidência. Os country businessmen se defendem com o argumento que a legislação em vigor é velha, ultrapassada e que precisa se adequar a nova realidade do Século XXI, quando eles estão conectados com a flutuação dos preços da bolsa de Chicago, são capazes de comandar os seus bulldozer por telemetria, acompanhar os movimentos de colheita via internet e ter um CEO gerindo o negócio. Uma modernidade que os xiitas ambientais se recusam a entender. Estes ainda são aqueles acusados de pertencer a ONGs que recebem dinheiro do exterior e devem ter algum plano sinistro para trair o país, porque não se explica o interesse que tem na preservação das florestas e eco sistemas nacionais. Devem ser agentes camuflados de verde com a intenção de se aliar aos bugios, cobras corais, macacos prego, micos leão dourado, ararinha azul, ariranha e se duvidar até com o Saci Pererê para tirar alguma vantagem inconfessável, talvez uma propina nestas épocas eleitorais.
Os ambientalistas dizem que o discurso ruralista é pseudo modernizante e quando dizem que não é preciso derrubar mais nenhuma árvore para aumentar a produção do agro negócio escondem que o que querem é não cumprir a lei que manda restaurar as reservas legais de mata que foram devastadas nas fazendas, e se apropriar das terras públicas que foram surrupiadas nos últimos tempos e que pertencem a toda a nação. Querem, dizem os verdes, que a legislação seja municipalizada para poder deitar e rolar com a ajuda de prefeitos e vereadores fazendeiros, ou como em Santa Catarina, ter uma legislação estadual convalescente com a devastação. Os ruralistas por sua vez estão impacientes e prometem processar na comissão de ética os deputados que participaram do lançamento do Exterminador do Futuro e recorrer a justiça para que os seus nomes não sejam divulgados. Sem dúvida um braço de ferro que não só deve ser acompanhado pelo eleitor/cidadão/contribuinte como enviar e-mails para o seu deputado defendendo o que julga melhor para o país. Em tempo, o velho Silvério não foi o traidor único do movimento como dizia a historiografia tradicional, é preciso uma leitura nos novos autores da História do Brasil.









































